segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Eu sou do tempo


eu sou do tempo do onça

quando os bichos falavam

pela rádio nacional

na marchinha de carnaval

nos concursos de miss

ah, eu era feliz, eu era feliz...


do tempo da guanabara

da bossa da Nara

dos Tropicalistas

dos hippies comunistas

da voz da Elis

ah, eu era feliz, eu era feliz...


eu sou daquele tempo

que rock era pecado

do let me sing do Raul

do cogumelo de zebu

e da Leila Diniz

ah, eu era feliz


eu sou dos novos tempos

do fim do vinil

do boom da Madonna

da zona no Brasil

do caos no país

ah, eu era feliz, eu era feliz...


eu sou do tempo do tempo

do exato momento

que o mundo explodiu

foi bom que existiu

o Brasil da utopia

ah, eu era feliz,

eu era feliz... e sabia
(Rita Lee / Roberto de Carvalho)

domingo, 10 de agosto de 2008


As vezes acho que simplesmente nasci na época errada. Deixei de conhecer vários de meus ídolos, outros, conheci até, mas não tanto quanto gostaria. Nasci numa época de... vamos dizer assim... loucura! Numa época em que os filhos matam os pais, em que as drogas são usadas em excesso, em que pais matam os filhos. Numa época que não se pode andar nas ruas sem olhar para os lados, com tranquilidade. Como diz minha vó, você pode ser assaltado, sequestrado, estuprado, violentado e ainda acaba morto. Numa época em que há muita coisa deturpada, e apesar de acharem o contrário, não há liberdade.

Liberdade de expressão, de ir e vir... Não há liberdade!

Agradeço a minha mãe por ter tido a educação que tive. Por, apesar de ver o mundo do jeito que está, me importar, mas não deixar de viver por isso. Eu faço minha vida, eu faço minha própria liberdade, faço minhas escolhas e trilho meu caminho. E ai de quem cruzar este caminho... É, sou mais forte do que imaginava.

Não tive pai presente, mas a melhor das atitudes é o perdão, e hoje estou disposta a perdoar. Não só por ser dia dos pais, afinal, nunca acreditei muito nessas datas comemorativas... Dia dos pais, das mães, dos namorados... São todos os dias! Mas enfim, não tô perdoando por ser dia dos pais, mas porque quero, por estar mudando, por saber que guardar magoa faz mal pra nossa relação e acima de tudo, faz mal a mim mesma. E a última coisa que quero agora é fazer mal a mim mesma.

E sobre aquela coisa de nascer na época errada... Talvez não! Talvez eu tenha nascido agora pra ser diferente, pra fazer a diferença, pra mostrar pros jovens de amanhã que já existiram coisas lindas e que um pôr do Sol é muito mais bonito ao vivo que na Tv, e que há saída... é só querer!

Ovelha negra


"Eis que chega minha primeira menstruação e com ela leva embora minha infância querida, salve salve. 'Rita, minha filha, agora você já é uma mocinha, precisa mudar seu comportamento. Não pode mais, por exemplo, se sentar com as pernas abertas, nem ficar andando de carrinho de rolimã com os moleques da rua. Há certas regras nesta vida que devemos respeitar. Você tem que entender que o nosso mundo feminino é muito diferente do masculino, Deus assim quer'.
Não demorei para entender que a partir de então seria deselegante me sentar de pernas abertas, assim como totalmente fora de cabimento continuar andando de carrinho de rolimã. Mesmo porque lá em casa todos já achavam meio esquisito eu nunca ter brincado com bonecas e preferir 'coisas de meninos'. Confesso que sempre odiei bonecas mesmo, aquilo de ficar tirando e pondo vestidinhos, arrumando e desarrumando cabelinhos era no mínimo bocejante. Pelo menos com a molecada eu aprendia ótimos palavrões. Tudo bem, não custa fazer um esforço, afinal, agora eu sou uma mocinha.
Mas porque cargas d'água o mundo feminino seria assim tão diferente do masculino? Então lá fui eu buscar respostas através do método da eliminação. Bastava saber que algo não era 'próprio para uma mulher' para me dar uma coceirazinha e ir literalmente tirar a prova dos nove, ou seja, nove entre dez Luluzinhas sequer tentavam saber o motivo de não poder invadir o clube do Bolinha.
Meu colégio não permitia que as meninas jogassem futebol, e a explicação era a de que se podia levar uma bolada no seio (era educado dizer seio). Eu perguntava pro Bolinha: e como você sabe que dói se você não tem teta? E onde será que dói mais, na teta ou no saco? Você usa proteção especial para o saco, então eu posso usar uma para as tetas. Se bem me lembro ainda demorou uns 30 anos até começar a existir futebol feminino pra valer. Quanta perda de tempo.
Alguém aqui pode me dizer porque não posso ir ao meu baile de formatura usando um vestido preto? 'Porque vestido preto é para usar em enterro, Rita'. Então propus um negócio: ao invés de gastar dinheiro com baile eu pedi uma bateria de presente. Minha mãe deu graças pela troca. Depois se arrependeu com o barulho e me convenceu a trocar a bateria por um violão.
Mãe, eu quero aprender a lutar karatê, ontem vi um filme genial do Bruce Lee e tenho certeza que levo jeito pra coisa. 'Mas karatê não é coisa de menina, Rita'. Cheguei até a faixa amarela apenas, e minha mãe agradeceu meu dedão do pé ter quebrado.
Pulando vários capítulos sobre o mesmo tema, chegou finalmente meu conforto com esse tal de rock and roll. Havia um Bolinha roqueiro que proclamava o lema incontestável 'orra meu, pra fazer rock tem que ter culhão!'
Que bálsamo foi aquilo para os meus ouvidos. Ah, quer dizer que não se pode fazer rock com útero e ovários? Então me aguarde.
Elementar minha cara mãe, a senhora certamente nunca deve ter sentado de pernas abertas e muito menos andado num carrinho de rolimã, não é mesmo? Então continue lindinha aí na sua casinha, brincando de bonequinha que sua ovelhinha negra vai atrás de uma boa encrenquinha. Ah, antes que eu me esqueça, mamãe, eu descobri que lugar de mulher é onde ela quiser!"
Rita Lee

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Tô entrando em desespero aqui, precisando de gente pra trabalhar amanhã! Cara, ninguém quer... Foi-se o tempo em que as pessoas precisavam e aceitavam qualquer trabalho por conta disso. Eu hein!

Ahh, cortei o cabelo! Tá lindooo!! Bem curtinho, como eu queria a algum tempo. Afinal, cabelo novo, vida nova... Algumas surpresas ainda virão!

Hoje é aniversário de Binho... Se um dia ele vier a ler isso...

Desde a barriga já era meu primo preferido. Quando nasceu... Tanta espectativa criada pra uma coisinha feia daquelas? Blergh! Não consigo entender. Mas aí foi crescendo né, foi até ficando bonitinho, gordinho, mas nojento! Ecaa! Não parava de gofar. Ainda bem que cresceu mais ainda, aí se tornou uma criança até sociavel... Voltou a ser meu primo preferidooo! Era bonitinho... Só me irritava por não saber ler e me fazer ler pra ele uma revistinha em quadrinho por noite. Ahh, como eu fiquei feliz quando ele aprendeu a ler, não me enchia mais o saco, lia sozinho. Tantas idas ao cinema pra lhe fazer companhia, assistindo filmes infantis. Tantas idas ao Mc Donalds! E todas as vezes em que acordavamos muito cedo e iamos brincar de lego, ou então com aquele joguinho massa de futebol que você tinha. Aí minha tia acordava bem depois e ia fazer nosso café. Como era legal. Hoje a diferença ainda é diferença, mas pelo menos eu não preciso mais agir como criança... São 17 anos, priminho, e continuo achando você um pirralho! Parabéns, guri! Ano que vem você já vai poder ser preso... Mas pense pelo lado bom, já vai poder beber e dirigir, só não vai poder fazer os dois ao mesmo tempo, ou vai realmente preso! Não fica assim, primo! Temos que aprender a conviver com a lei seca.

terça-feira, 24 de junho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Ameno


Dori me

Interi mo, Adapare

Dori me

Ameno, Ameno

Lantire, Lantire mo

Dori me


Ameno, Omenare, imperavi

Ameno, Dimere, dimere

Mantiro, Mantire mo

Ameno


Omenare, imperavi emulari

Ameno

Omenare, imperavi emulari


Ameno, ameno dore

Ameno dori me

Ameno dori me


Ameno, Dom

Dori me, Reo

Ameno dori me

Ameno dori me


Dori me, Dom


(Era)